quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

#27: enterram-se os mortos e cuidam-se dos vivos

Hoje tô gongórico. E como não se pode ser gongórico sem ser baiano, acolho a dica de Caetano e penso no Haiti.

O terremoto é assustador, é triste e coisa-e-tal, mas é também um motivo para os caras repensarem um mon'di'coisa e recomeçarem quase tudo.

É um motivo para o Haiti fazer o que fez Portugal, aquele reinozinho decadente que nos mil-e-setecentos aguardava a volta do insepulto D. Sebastião para que fosse retomado o caminho rumo a uma grandeza sempre pelo destino negada.

Não veio o Desejado: veio o terremoto de Lisboa - e com ele a deixa para que outro Sebastião viesse, não de Alcácer-Quibir, mas de Oeiras, se não para derribar o destino, ao menos para por alguma ordem no bordel.

E o tal Sebastião já chegou botando banca e pronunciando a frase que dá título a este post (na verdade, na verdade mesmo, chegou antes do terremoto, e na verdade nunca pronunciou a tal frase, mas é mais verdade ainda que só não o fez porque os historiadores são um raio de uma classe que tem excesso de zelo e carência de coisas a fazer).

Reconstruiu Lisboa, tomou gosto pelo ofício de pedreiro e saiu reformando o que viu pela frente: economia, judiciário, administração pública, relação Estado-Igreja, educação, os cambau. Transformou o Portugal pós-terremoto em um lugar bem mais bacana do que o Portugal pré-terremoto.

Vá lá que esse Sebastião não trouxe a esperada glória para a terra lusitana. Tudo bem que até hoje Portugal siga na história universal como seguem na vida os personagens do Plinio Marcos: berrando da geral sem nunca influir no resultado, sem nada nem ninguém liderar, apenas transando pelos estreitos, escamosos e esquisitos caminhos do roçado do bom Deus. Mas (sigo pliniomarcosplagiando descaradamente) ele tirou Portugal das quebradas do mundaréu, tirou-a de lá de onde o vento encosta o lixo e as pragas botam ovos. Isso lá ele fez.

E é pensando em Portugal que rezo pelo Haiti. Torço para que o Haiti faça o que faz pombo-correio e o que fez o rosto que o ocidente fita com olhar esfíngico e fatal: peço para que o Haiti encontre o seu Pombal.

#26: kardequinho básico (olha quem fala!)

Hoje a Folha de São Paulo traz notícia sobre a magreza das modelos que desfilam no São Paulo Féi Xiun Uíque. Ilustra a notícia com a foto de uma moça desfilando. A menina era tão desencarnada, mas tão desencarnada, que estaria melhor desfilando em uma sessão de mesa branca.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

#25: pé quebrado (em ambos os sentidos)

Na tarde chuvosa da Cantareira
Trazendo no braço o rebento amado
A ele apresentou-se um dilema
Entre o caminho certo e o errado
Quando escolheu o caminho da beira
Caiu, estropiou-se e ganhou um pino no tornozelo

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

#24: carreira política

- Quer dizer que teu irmão foi eleito deputado...

- Alto lá. Aí já é demais: não mete a mãe no meio!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

#23: vivendo e aprendendo

Dica para descasados, separados, divorciados e desfenestrados em geral, e para aqueles que, como eu, caminham para esse destino: por mais que aqueles cds de Jacques Brel e Nina Simone estejam tentando sua memória musical, nunca nem chegue perto deles.

Se necessário, quebre-os. Sua sanidade vale mais do que umas rodinhas de plástico brilhante.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

#22: nem tudo está perdido

Sobre meu post de ontem: se não temos a Carla Bruni, pelo menos o Supremo está a um voto de mandar o Batisti de volta prá Itália.

Já é um começo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

#21: intercâmbio França - Brasil

Submarinos, helicópteros, aviões de caça. Lula "fez o curso" em Parri.

Mas se ele soubesse mesmo como negociar, trazia a Carla Bruni prá cá.

Podia trocar pela Dna Marisa.

Ou pelo Fausto "Exocet" Fawcett, já que estamos falando de produtos bélicos franceses.

Regininha Poltergeist, é claro, ficaria por aqui mesmo.